Friday, February 04, 2005

o mostrengo

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse:

«Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.

«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:

«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:

«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,

Manda a vontade que me ata ao leme
De El-Rei D. João Segundo!»

Este poema sempre me arrepiou...



2 Comments:

At February 6, 2005 at 4:39:00 AM PST , Blogger Helena Martins said...

Da próxima vez que etsiveres lá em casa, prmeto que to recito :) *s gds :)

 
At February 7, 2005 at 10:40:00 AM PST , Blogger eternal sunshine said...

olha que eu cobro! ****

 

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